Alda Espírito Santo !

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Alda Espírito Santo !

Eu vou trazer para o palco da vida
pedaços da minha gente,
a fluência quente da minha terra dos trópicos
batida pela nortada do vendaval de abril.

Eu vou descer á Chácara
Subir depois pelos coqueiros do pântano
ao coração do Riboque,
onde o Zé Tintche, tange sua viola
neste findar dum dia de cais
com gentes de longe
na Ponte Velhinha
num dia de passageiros(...)

Descendo o meu bairro

 

 
Dados Biográficos

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         Alda Neves da Graça do Espirito Santo, nasceu em 1926 em S. Tomé.

         Alda do Espirito Santo é um afigura emblemática, não só da literatura e da cultura santomense, como também da história recente do país. A sua presença fez-se ao domínio colonial, motivo pelo qual interrompeu os estudos universitários, tendo terminado apenas os estudos secundários em Portugal, manteve-se após a independência, como destacada figura política, desempenhando cargos de Ministra de Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura, Presidente da Assembleia Popular da Republica e Secretária Geral da UNEAS.

         Colaboração dispersa em diversas publicações regulares: Mensagem (CEI), Jornal de Angola, A Voz de S. Tomé.

         Alda Espirito Santo é também autora de uma poesia, na qual expressa o protesto e luta intimamente associada ás aspirações do seu povo.

         Alda Espírito Santo, senhora-mãe desse "Solo Sagrado da Terra", reafirma a cada instantânea coerência entre vida e poesia, ou melhor, a unidade entre protesto e luta. Pôs a língua portuguesa, incorporada com firmeza e serviço de nós. A sensibilidade poética joga de mãos dadas com o seu explícito engajamento.

 

Obra

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Poesia
O Jornal das Ilhas (1976)
É nosso o Solo Sagrado da Terra (1978)

.

Incluída em M. Andrade e F. J. Tenreiro, Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1958); ª Margarida, Poetas de S.Tomé e Príncipe (1963); M. Ferreira, No Reino de Caliban II (1976); C. ª Medina, Sonha Mamana África (1988); O Coro dos Poetas e Prosadores de S.Tomé e Príncipe (1992); entre outros...

 

Poemas

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Em Torno da Minha Baía

Aqui, na areia,
Sentada a beira do caís da minha baía
do caís simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrente
sobra o caís desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira a do caís a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num voo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na mais bela de todas as lições
HUMANIDADE

(1963)
Abraços de Roma
Enzo

 

LÁ NO ÁGUA GRANDE

Lá no Água Grande a caminho da roça
negritas batem que batem co’a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.

As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.

(1991)
In Primeiro Livro de Poesia

 

Outros Sites

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http://nicewww.cerne.ch/~pintopc/www/afica/EspiritoSanto/TornoBaia.htm

http://nicewww.cerne.ch/~pintopc/www/afica/EspiritoSanto/OndeEstao.htm


Última Actualização: 27-10-2011
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